PROGRAMAÇÃO

Mostra | Casas – a morada das almas

O Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, realiza, entre 18 de junho e 23 de agosto, a exposição Casas – a morada das almas, fruto de dez anos de pesquisa da fotógrafa Zaida Siqueira na documentação de técnicas construtivas ancestrais utilizadas nas diferentes regiões do Brasil. Com curadoria de Maria Lucia Montes, a mostra tem patrocínio da AkzoNobel e apoio da Atlas Cerâmica e Cromex. 
Casas – a morada das almas apresenta fórmulas tradicionais de edificação, suas variações e adaptações. No desenvolvimento deste projeto, Zaida Siqueira percorreu 20 estados brasileiros registrando a sabedoria do homem ao lidar com a natureza para edificar sua casa, manuseando a terra, as pedras e a madeira. Ao estabelecer semelhanças de acordo com características climáticas e de solo, ela observou também aspectos da flora e da fauna.
As influências culturais também aparecem em seu trabalho, como nas malocas (tipo de cabana comunitária utilizada pelos nativos da região amazônica) das terras indígenas de Mato Grosso. No interior de São Paulo e Minas Gerais, estados que viveram o apogeu da cultura do café, há registros de casarões de taipa e pau a pique. Na capital paulista, a construção do Pátio do Colégio, por exemplo, empregou originalmente essas duas técnicas na edificação das paredes.
A exposição é composta por setenta e duas fotografias, revelando aspectos curiosos da construção das casas brasileiras como o uso de elementos como cupinzeiros socados e açúcar mascavo; seis instalações criadas pelo engenheiro civil Felipe Pinheiro, nas quais pedaços de muros semi-prontos ilustram a estrutura interior das construções; seis arquivos audiovisuais que integram a série documental de episódios “Habitar Habitat”, produzida em 2013 por Paulo Markun e dirigida por Sérgio Roizenblit, abordando habitações brasileiras que trazem de volta a taipa de pilão, o pau a pique, o adobe, palhoças, palafitas e trançados para cobertura vegetal, feitos com materiais como bambu e palha.
 “A pesquisa revelou que essas técnicas estão sendo retomadas na bioconstrução, pois são sustentáveis e apresentam bons resultados acústicos e térmicos, além da qualidade ecológica. Essas edificações geram menos impacto durante a construção e podem ser reabsorvidas pela natureza”, complementa Zaida.
Para Heder Frigo, diretor AkzoNobel Brasil, patrocinadora da exposição, valorizar o que já foi feito nas casas brasileiras é uma forma de aprimorar conceitos mais modernos na arquitetura atual. “O conceito de casa como resgate de cultura, sociedade e meio ambiente reforça nossa estratégia de Cidades Humanas”, comenta. 
Sobre Zaida Siqueira
Há 15 anos, a jornalista e fotógrafa paulistana Zaida Siqueira busca registros do cotidiano, estabelecendo pontes entre o ancestral e o contemporâneo. Sua obra resulta de intensa e ampla pesquisa das tradições e suas atuais aplicações na vida do homem, no ambiente rural e urbano, resgatando e valorizando esses conhecimentos. Aos 53 anos, ela já desenvolveu pesquisas em diversos estados brasileiros, também em comunidades indígenas, publicou seis livros e fez cinco exposições, sendo Casas – a morada das almas, seu sexto projeto.
Entre abril e junho de 2014, o Museu da Casa Brasileira realizou outra mostra de Zaida Siqueira, chamada Utensílios: o espírito da forma, feita em parceria com a ceramista Caroline Harari. A exposição apresentou um registro artístico da produção e uso de utensílios presentes no cotidiano doméstico das casas brasileiras.

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