PROGRAMAÇÃO

Palestra: Escolas de Arte do Terceiro Mundo, Havana – Cuba, 50 anos depois

Palestra: Escolas de Arte do Terceiro Mundo, Havana – Cuba, 50 anos depois

A atividade é fruto de uma parceria entre Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, MCB e Secretaria Municipal da Habitação de São Paulo (SEHAB).

Vittorio Garatti, que ministrará a palestra, nasceu na Itália em 1927 e se se formou em arquitetura pela Escola Politécnica de Milão em 1957. Foi convidado, no início dos anos 60, pelo arquiteto cubano Ricardo Porro a participar do projeto das Escolas Nacionais de Arte de Cuba, em conjunto com o também italiano Roberto Gottardi. As Escolas foram encomendadas pelo governo revolucionário, na esteira da tomada do poder em 1959, sob a proposta de Che Guevara e Fidel Castro de criar um ensino de artes gratuito, voltado a estudantes de todo o terceiro mundo, de caráter amplamente inovador e experimental.

As Escolas Nacionais de Arte foram construídas entre 1961 a 1965. O projeto arquitetônico do complexo contempla cinco disciplinas: música e balé, desenhadas por Garatti; dança moderna e artes plásticas, de Porro; e artes dramáticas, de Gottardi. O conjunto articulado das cinco escolas propunha um desenho que ia de encontro à arquitetura internacional funcionalista praticada à época.

Os desenhos de Garatti, Porro e Gottardi procuraram integrar soluções da cultura arquitetônica hispânica e latino-americana a um partido moderno de articulação e funcionalidade espacial, tal como fizeram seus contemporâneos Alvar Aalto, Frank Lloyd Wright, Bruno Zevi, Carlo Scarpa e Ernesto Nathan Rogers, entre outros, resultando na construção orgânica de influência catalã em alvenaria e estruturas abobadadas.

Marcadas por essa forma orgânica, são exemplos máximos de uma arquitetura para o povo, para a vida, para a arte e para o homem. No contexto atual, em que a arquitetura espetacular está em voga, os projetos que serão expostos são excelentes e necessários contrapontos.

As escolas, uma das obras mais representativas da arquitetura revolucionária, foram incorporadas ao patrimônio mundial da Unesco em 2003, e pelo Conselho Nacional de Conservação cubano em 2011 e permanecem, até hoje, inacabadas.

Vittorio Garatti realizou, em 55 anos de carreira, edifícios de uso público e privado, entre conjuntos residenciais, escolas, desenho urbano e espaços de trabalho e comércio. Foi professor da Universidade de Caracas, na Venezuela e do Politécnico de Milão, na Itália. Atualmente é sócio, com Mariantonietta Canepa, do escritório Garatti e Canepa, atuando em Milão.

Além da palestra, Garatti irá participar, no dia 12 de maio, de um debate com o arquiteto Marcelo Ferraz, do escritório Brasil Arquitetura e também, durante sua estada em São Paulo, vai fazer um pequeno projeto para um equipamento cultural, em uma das áreas de intervenção em andamento – próximo a Bamburral, Perus, como parte do programa São Paulo Calling (Jornada da Habitação), desenvolvido pela SEHAB e que se propõe a debater, a partir de São Paulo, as políticas públicas aplicadas em cidades que enfrentam problemas semelhantes relacionados a assentamentos informais: Bagdá, Medelín, Moscou, Mumbai, Nairóbi e Roma.

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Mar. al sol de 10 a.m. a 6 p.m.

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