ACERVO

ARTIGO “ARTEFATOS DE COZINHA – OS UTENSÍLIOS DOMÉSTICOS EM EVIDÊNCIA NOS INVENTÁRIOS E RELATOS DE VIAJANTES” POR WILTON GUERRA

ARTIGO “ARTEFATOS DE COZINHA – OS UTENSÍLIOS DOMÉSTICOS EM EVIDÊNCIA NOS INVENTÁRIOS E RELATOS DE VIAJANTES” POR WILTON GUERRA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Créditos: Romulo Fialdini

          Diferente da série de artigos já publicados no projeto Acervo Revelado, os quais apresentam objetos que integram o acervo do MCB e discutem seus usos, relações com espaço construído e cotidiano doméstico, o artigo atual, alinhado à Política de Desenvolvimento de Acervo da instituição, intenta uma proposta diferente. Propomos um recorte que se enquadra no campo de estudo da história da alimentação – que desde meados do século passado ganhou espaço na historiografia mundial e brasileira – com o objetivo de evidenciar os utensílios de cozinha utilizados no processamento e preparo de alimentos ao longo dos quatro primeiros séculos no Brasil, correlacionando-os com os objetos existentes no acervo do MCB, com propósito de futura incorporação de itens desta tipologia ao acervo. Devido às inúmeras transformações que o modo de preparo dos alimentos e a própria cozinha passaram a partir do final do século XIX, entendemos que residam neste recorte temporal um importante conjunto de objetos de uso cotidiano já fora de circulação, quer seja pela descontinuidade de seu uso ou pela própria efemeridade da sua constituição material, que deverão ser mapeados a fim de orientar coletas futuras.

A cultura material tem nos museus, sobretudo nos históricos ou com características antropológicas, uma fonte fértil para discussão de temas relativos à história do cotidiano, espaço doméstico, etc.. Neste contexto se enquadra o MCB, que em sua primeira década, mesmo enfrentando adversidades, buscou na materialidade uma fonte importante para discussão dos assuntos ligados à habitação. A partir de 2010, passados 40 anos de sua fundação, a instituição começou a rever seu acervo de forma crítica, com o objetivo de resgatar as características antropológicas presentes nos primeiros anos de sua criação, de forma a compreender e estabelecer relações entre os objetos que deram entrada no acervo no passado e os adquiridos a partir da primeira década do século XXI, com o objetivo de apontar caminhos para o desenvolvimento futuro do acervo. O resultado foi a construção de uma Política de Gestão de Acervos que, entre outros aspectos, estabelece critérios para a aquisição de novos objetos, privilegia a pesquisa e consequente desenvolvimento de coleções relativas a dois temas: cozinhas brasileiras – seu papel nas transformações do espaço doméstico moderno – e mobiliário moderno – sua produção e construção de uma identidade nacional. A decisão pelo tema cozinha como um dos critérios para seleção dentro da Política de Desenvolvimento foi justificada pelo potencial que os objetos oriundos desse espaço têm para a reflexão sobre a história do design no Brasil, bem como a centralidade que a cozinha assume na construção de práticas domésticas e relações sociais dentro da casa. Além de suprir uma carência no acervo, que atualmente possui poucos exemplares desta temática.

Clique aqui para ler o artigo completo.

 *Wilton Guerra atua como gerente do Núcleo de Preservação Pesquisa e Documentação do MCB(área responsável pelo acervo), desde 2006. É Bacharel e licenciado em História pela PUC-SP (2003), mestre em Museologia pela USP (2015) e técnico em museus pelo Centro Paula Souza (2007). Desde 1998, é pesquisador do Museu da Casa Brasileira (MCB). Em 2000, organizou três volumes (Arquitetura, Objetos e Equipamentos) da coleção “Equipamentos, Usos e Costumes da Casa Brasileira”. Em 2005, coordenou o projeto “Acervo Virtual – Equipamentos, Usos e Costumes da Casa Brasileira” (Arquivo Ernani Silva Bruno), que disponibilizou integralmente o acervo do MCB para consulta no site da instituição e em CD-Rom, para distribuição em instituições de ensino e bibliotecas. Nos últimos anos tem participado ativamente de pesquisa e desenvolvimento de exposições, entre elas: “Renata e Fábio – A Casa e a Cidade” (2006); “Coleção MCB” (2007); “A Casa Brasileira do MCB – Memórias de um Acervo” (2008); “A Casa e a Cidade – Coleção Crespi-Prado” e “Madeira e Móvel – Um olhar sobre a Coleção MCB” (2012).
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