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MOSTRA | COLEÇÃO MCB - NOVAS DOAÇÕES

Por séculos as peças da esfera doméstica têm sido responsáveis por materializar com clareza o estilo, as correntes artísticas, a história e o contexto socioeconômico das nações. Em um país forjado num caldeirão de culturas como o Brasil, torna-se mais que relevante observar a evolução de seu mobiliário para entender e preservar sua história. Esta é a vocação do Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, que celebra mais de quatro décadas de pioneirismo na valorização do design nacional com mostra inédita de seu acervo e cerimônia do 30º Prêmio Design MCB, mais prestigiada premiação do setor.

Desde 2008, a gestão do MCB é realizada pela Organização Social A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros. Neste mês, a gestão celebra um período de atividades férteis, com notáveis impactos no cenário do design nacional e em confluência com tendências vividas por grandes metrópoles mundiais, como Londres, Barcelona, Berlim e Lisboa, que também dedicam museus e centros culturais robustos à história de seu design.

A mostra Coleção MCB – Novas Doações apresenta a remodelação do acervo do museu, composto por móveis e objetos representativos da casa brasileira desde o século XVII até os dias de hoje, e exibe ainda 87 peças inéditas recém-incorporadas ao acervo, notadamente do período moderno brasileiro. Entre elas estão objetos de destaque no design brasileiro, como a Poltrona Jangada de Jean Gillon, a Luminária Concha de Fábio Alvim, a cadeira Oswaldo Bratke, e também projetos vencedores importantes na história do Prêmio Design MCB, como a poltrona Mandacaru, de Baba Vacaro, e a poltrona Cadê da Ovo Design.

Integra ainda a exposição uma seção de imagens constituída a partir do projeto Casas do Brasil, iniciativa do MCB criada há dez anos e que resgata a memória sobre a diversidade do morar brasileiro. Desde o início do projeto, em 2006, foram registrados tipos diversos de moradias brasileiras, como casas populares de diferentes estados brasileiros, as barracas ciganas, a tipologia da oca Xinguana, as habitações ribeirinhas da Amazônia e as soluções feitas pelos detentos do Carandiru para facilitar a vida no cárcere.

Vale destacar que esse conjunto significativo é consequência da elaboração da Política de Gestão de Acervo, inovação desenvolvida pela atual gestão em conjunto com o Comitê de Orientação Cultural designado pelo Governo do Estado de São Paulo. Com as bases dessa política, foram criados critérios para o desenvolvimento da coleção. Assim, o Museu da Casa Brasileira vem, dentre outras ações, estreitando relacionamento com colecionadores, galeristas e empresas de design. De maneira colaborativa com profissionais do setor, a equipe de experts em arte, arquitetura e design que integra o MCB vem contribuindo para o desenvolvimento da identidade do acervo.

Acervo pioneiro

À coleção do Museu da Casa Brasileira, composta atualmente por 410 peças, somam-se as 87 novas doações, entre móveis e objetos do século XVII aos dias de hoje. O acervo do MCB segue, a partir desta significativa expansão, incorporando peças relevantes de várias fases do design brasileiro; neste momento com foco principal no período modernista (que abrange as décadas de 1950 e 1960), essencial para entender o desenvolvimento da identidade do design nacional.

Diferentemente da produção de móveis e objetos que vinha buscando inspiração e soluções técnicas na tradição europeia, como o estilo Luís XV, o período modernista foi o momento crucial para a construção da identidade do design brasileiro e a busca por formas, materiais e conceitos que fizessem sentido para a tão diversa forma de morar do país e acompanhasse o protagonismo assumido pela arquitetura no contexto nacional e internacional naquele momento. Investigar e valorizar a produção brasileira deste período faz parte da missão pioneira do MCB para o inventário, pesquisa, difusão e fomento do design nacional.

Após revisar sua origem e constituição do acervo, hoje o Museu estabelece as bases da sua primeira Política de Gestão de Acervo, passando a incorporar oficialmente em seu escopo constitutivo questões de valoração e inclusão de objetos ligados ao universo cultural do design. Passa a considerar o campo do design como cultura cotidiana e cumpre seu papel de representação prospectiva e retrospectiva da cultura brasileira.