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Mostra | Bordado no Museu

Bordar era atividade restrita às mulheres, índice de boa educação e preenchia os espaços das casas de família como prendas domésticas. Ornamentar enxovais, embelezar a casa com toalhas e fazer intervenções em roupas foram as marcas dessa artesania.


A revitalização desse processo é recente. Enveredando por um diálogo entre a tradição e o contemporâneo, o “bordado livre”, como é atualmente definido, tornou-se uma linguagem fecunda para o compartilhamento de processos, de criações e de resultados. Os pontos tradicionais abriram espaço à imaginação e à criação de imagens pintadas com linhas, os desenhos distanciaram-se dos modelos fixos para serem de autoria do bordador e o verso do bordado tornou-se, algumas vezes, o próprio bordado.


Essa técnica vem angariando um público bastante diversificado, em que a memória da linha e da agulha geralmente está relacionada a experiências vividas ou observadas desde a infância, e, nessa perspectiva, o bordado consolida-se como uma linguagem democrática e inclusiva, em que qualquer pessoa, independente de gênero e idade, poderá arriscar uns pontos.

O bordado apresentado aqui foi realizado pela equipe do Educativo, sob orientação da arte-educadora Beth Ziani, e ocorreu em três momentos diferentes: durante a exposição Design Holandês hoje: Objetos que indicam a casa do amanhã, em 2016; no projeto Seu Museu, voltado para os funcionários do MCB; e com crianças e professoras na EMEI Dona Leopoldina, escola parceira o museu.


Jardins
O projeto Jardins, 2016, ocorreu no espaço expositivo em uma das salas do Museu na exposição Design Holandês hoje: Objetos que indicam a casa do amanhã e ofereceu ao público um ambiente de acolhimento. Cada pessoa que visitava a exposição poderia bordar, desenhar ou contar histórias relacionadas à linha e à agulha conforme o tempo disponível. O resultado foi um grande painel coletivo com a participação de mais de setenta pessoas que passaram pela mostra.


Seu Museu
No projeto Seu Museu, os funcionários foram estimulados a representar suas recordações sobre a casa ou sobre o próprio MCB em diferentes bordados. Alguns criaram seus desenhos para depois bordá-los, escolhendo cores, texturas e aprendendo alguns pontos básicos. Ao longo de semanas, nossos funcionários puderam ser vistos bordando pelos diferentes espaços do museu. Foram elaboradas quarenta telas individuais e coletivas.


A Floresta na Cidade
O Projeto A floresta na cidade foi realizado na EMEI Leopoldina sob a coordenação da prof. Renata Honora. Com desenhos feitos por crianças entre 4 e 5 anos, resultou em um painel de 1,0 X 1,55m. O painel revelou o desejo de trazer uma floresta para a cidade em que moramos. Tecido por muitas mãos, esse bordado passou pelas famílias das crianças, a equipe escolar e bordadeiras do bairro (Artesãs da Linha Nove), materializando moradias, crianças, brincadeiras, sol e flores, juntamente com ruas e prédios.