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ARTIGO "ESPELHO, ESPELHO MEU: OS EFEITOS DO ESPELHO NAS CASAS", POR ERICA DE OLIVEIRA

Este artigo tem por objetivo examinar a presença dos espelhos nas casas, principalmente a partir do século XIX, quando identificamos a maior presença de espelhos fixados em móveis. Analisaremos essa presença sob a perspectiva do olhar: em que medida a presença dos espelhos configurou um novo esquema do olhar dentro da casa, do olhar para o outro e para si. Procuraremos, assim, pensar o caráter ativo dos espelhos nos processos de interiorização/subjetivação dos habitantes dessas moradias, considerando que o espaço doméstico sofreu uma série de modificações, que o tornou diretamente associado a noções como conforto, domesticidade e privacidade, transformando-o em lugar de refúgio e acolhimento pessoal, locus de uma subjetividade burguesa já em curso.

Essa reflexão abordará apenas um dos muitos aspectos relacionados às nove peças espelhadas presentes no acervo do MCB – dois aparadores (século XIX), uma caixinha de rapé (século XIX), um sofá-aparador (século XX), um porta-chapéus (século XX), uma penteadeira (século XIX), o móvel de múltiplas utilidades 2 (século XX), um espelho de mão (século XIX) e um espelho de corpo inteiro basculante (século XIX) – principalmente porque parte deles foram produzidos com outras funções principais que não necessariamente à função ligada ao espelho.

Para este texto utilizamos referências de inventários e fontes literárias buscadas na base de dados do Arquivo Ernani Silva Bruno, mas parte das referências literárias advém também da leitura propriamente dita da obra de Machado de Assis, tanto o conto, quanto o romance.

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*Erica de Oliveira é analista do Núcleo de Preservação e Pesquisa do Museu da Casa Brasileira, mestranda do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo, Bacharel em História (2014) e Técnica em Museologia pelo Centro Paula Souza (2008). Atua desde 2008 nas áreas de Documentação e Gestão de Acervos Museológicos e com produção de exposições museológicas. Integrou equipes de catalogação de acervos no Museu da Imagem e do Som (MIS), Museu Histórico Pedagógico Bernadino de Campos, Museu de Arte Sacra e outros projetos de documentação. Atuou no Serviço de Objetos do Museu Paulista, onde foi também membra do Comissão Técnica Administrativa e do Conselho Diretor do Museu como representante discente. Além disso, foi pesquisadora da Comissão da Verdade da Universidade de São Paulo como bolsista do projeto Fapesp A USP durante o regime autoritário: formas de controle e resistência na Universidade de São Paulo, 1964 – 1982.

Artigo_Espelho_espelho_meu_3_tri.pdf