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Júri
Com inscrições abertas até 28 de abril, o Concurso do cartaz já conhece o coordenador de sua comissão julgadora. Gustavo Piqueira, designer gráfico à frente do estúdio Casa Rex, provoca todos os participantes a expressarem em seus cartazes o atual design brasileiro. Por meio da composição do júri deste ano, formado por equipe multidisciplinar, o MCB propõe a ampliação do debate suscitado pelo concurso. Confira abaixo a entrevista.

P: Alguma mudança no direcionamento para este ano?
O que é o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira? Um reconhecimento ao melhor design produzido no Brasil hoje.

E, ainda que as últimas edições do cartaz sejam peças de inegável excelência gráfica, de certo modo elas se esquivaram de abordar esse tema. Pelo contrário, focaram em soluções que mencionam o design de forma ampla - a sobreposição de facas loucas de 2013, a 'utilidade' do design de 2012, o papelão microndulado de 2011, o código de barras de 2009.... É design? É design. Mas qual design? Falta um 'de onde' aí, falta uma procedência. Isso não é uma percepção exclusivamente minha ou da direção do Museu. É algo que muita gente - de dentro e fora do Brasil - sinalizou.

Não parece haver a busca por uma articulação maior com o conteúdo. Se você olha, por exemplo, os finalistas de 2013, a impressão que se tem é que o tema era 'faça um ensaio gráfico sobre o número 27, utilizando apenas recursos tipográficos que façam alguma referência a processos industriais'. São lindos? Alguns são. Inclusive o vencedor. Mas não havia espaço para mais discussão, para mais reflexão? É preciso considerar - como o próprio site do MCB já faz - o cartaz como o segmento 'design gráfico' do prêmio. A seleção final não pode ser tão homogênea assim, apontando para uma única direção - é dissonante, inclusive, com o conteúdo da mostra.

Além do quê, o cartaz do Prêmio não deve ser um fim em si. Deve ser veículo gerador de discussões - por cada designer, durante sua confecção e, uma vez reunidos para a exposição, por todo o público.

É importante deixar claro, no entanto, que isso não é uma crítica às peças nem aos júris anteriores. Pelo contrário. É, como disse, um passo além. Uma constatação que só se fez possível a partir do que já foi feito. Algo acabou ficando um pouco para trás, é hora não apenas de resgatá-lo como também de, com isso, abrir novas possibilidades.

P: Será que hoje - com o mundo e as referências cada vez mais globalizados - ainda é relevante essa discussão sobre 'refletir o design brasileiro'?
Bom, se não fosse relevante não haveria a necessidade da existência do Prêmio, não? Claro, não é uma discussão fácil - basta olharmos os produtos/objetos premiados nas mostras anteriores: não há uma direção única. Essa aliás, é a graça: não é porque não existem símbolos inquestionáveis que sintetizem o 'Brasil contemporâneo' que a discussão deva ser deixada de lado. Mesmo porque, como disse, se fosse esse o caso, o MCB nem precisaria realizar o prêmio.

Juntemos os pontos: o concurso do cartaz do Prêmio firmou-se com um evento dos mais relevantes no calendário do design gráfico nacional. O tema do cartaz é 'design brasileiro hoje'. Existe alguma oportunidade melhor para o debate sobre o que 'design brasileiro hoje' significa? Particularmente, acho que não.

P: Qual a sua expectativa quanto ao resultado?
Se eu lhe responder que chegaremos a um resultado que sintetizará, de modo absoluto, a 'cara do Brasil contemporâneo', eu seria, numa autoanálise gentil, um tolo. A ideia é fugir de estereótipos, não criar novos.

Agora, se o resultado será mais heterogêneo ou não, não tenho como afirmar. Muito menos que vá, de fato, refletir esse tema com a riqueza que todos esperamos/gostaríamos. Não importa. O ponto central não é esse, mas sim a abertura para aprofundarmos a reflexão. Como mencionei, o cartaz do Prêmio não pode ser um fim em si. Deve, também, ser ponto de partida.

P: Alguma dica aos participantes?
Como deu para perceber, a avaliação será bastante atenta à pertinência ao tema das peças inscritas. Mas, importante lembrar: o tema do cartaz não é '28º Prêmio Design MCB'. Esse é o texto que vai no cartaz. O tema é 'design brasileiro 2014' - é essa a mensagem que o Prêmio 'pede' que o cartaz transmita. Claro, essa abordagem pode ser acessada de diversas maneiras - das mais sutis às mais histéricas. Tanto faz. Desde que as três ideias estejam lá - recapitulando: 1. design, 2. brasileiro e 3. 2014 -, vale tudo.

P: Vale tudo inclusive quanto à criação e execução da peça?
Tudo. Lembrando, claro, que o cartaz precisa apresentar as informações necessárias e oferecer condições para ser reproduzido e distribuído pelo Museu. A partir daí, pode ser feito à mão, no computador, se apropriar de ilustração, pintura, fotografia, colagem, gravura, grafite, enfim. tudo.