
Um espaço dedicado a alojar o trabalho de classificação, catalogação, exposição, conservação e restauração de móveis e objetos, considerados de valor histórico e artístico para o país, motiva a criação, em maio de 1970, do então denominado Museu do Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro. O nome já alguns meses depois de designado parece insuficiente para abranger todo o propósito inicial e é alterado para Museu da Cultura Paulista - Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro. A preocupação que permeia o extenso nome sugerido é a de ampliar o campo de atuação, com o objetivo de ser, mais do que um museu comum, uma espécie de centro de estudos que se responsabiliza por uma complexa gama de investigações em torno da evolução da cultura brasileira. Idealizado pelo então secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Luís Arroba Martins, no governo de Roberto de Abreu Sodré, o Museu ganha sede provisória em um antigo sobrado da Alameda Nothmann, no centro da capital paulistana. Em 1971, passa a se chamar Museu da Casa Brasileira. A simplificação do nome não altera o objetivo de formação de um centro de pesquisas sobre os equipamentos, usos e costumes da casa brasileira, com exposição permanente de seu acervo. Em 1972, a instituição muda-se para o solar Fábio Prado (projeto do arquiteto paraense Wladimir Alves de Souza, que reproduz as linhas do Palácio Imperial de Petrópolis), na avenida Faria Lima, antiga residência do prefeito Fábio Prado e de sua esposa Renata Crespi. O edifício fora doado à Fundação Padre Anchieta e cedido em comodato por esta à Secretaria de Estado da Cultura.
A comissão formada para a tarefa de compor o patrimônio do Museu na época conta com intelectuais como Sérgio Buarque de Hollanda, Carlos Lemos e Antonio Cândido de Mello e Souza, entre outros, liderados pelo historiador Ernani Silva Bruno, que, por nove anos consecutivos, dirige a instituição. Eles se encarregam de selecionar tudo aquilo que tivesse valor sociológico, histórico ou artístico ligado à cultura brasileira, particularmente a paulista, para a constituição do acervo. Durante os cinco primeiros anos de vida, o maior trabalho de constituição do Museu concentra-se na busca de peças que compusessem o cenário da casa brasileira. Nesse mesmo período tem início, sob a coordenação de Ernani Silva Bruno, a compilação de fichas sobre equipamentos, usos e costumes nas habitações brasileiras. Esse material soma um inventário com 28 mil referências, compreendendo dos séculos XVI ao XIX. A natural evolução do Museu como um espaço dedicado ao mobiliário e às criações em seu entorno justifica o nascimento do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, que se torna a mais conceituada premiação de design de produtos no país. Outro dado relevante da consolidação do Museu se dá em 1992, com o surgimento da Sociedade de Amigos do Museu da Casa Brasileira, constituída por um grupo de voluntários que trabalha para a obtenção de recursos visando o desenvolvimento das atividades culturais da instituição.

O edifício neoclássico com mais de 1.200 m² de área construída, num terreno com então aproximadamente 15.000 m², hoje reduzido a 7.200m², foi erguido na década de 40 por Fábio da Silva Prado, ex-prefeito de São Paulo (1934-38) para viver com sua esposa, Renata Crespi da Silva Prado. Nesse momento, as elites paulistanas deixavam os bairros antigos (Campos Elíseos, Luz e posteriormente Avenida Paulista) em direção aos “bairros-jardins”, região privilegiada por seu traçado planejado.
O projeto, encomendado ao arquiteto paraense Wladimir Alves de Souza, reproduz as linhas do Palácio Imperial de Petrópolis e tem clara influência da obra do italiano Andréa Palladio, veneziano que viveu no século XVI.
O solar dos Prado foi endereço do casal por mais de 15 anos., período em que se transformou em local de grandes recepções oficiais. Com a morte de Fábio da Silva Prado, em 1963, Renata Crespi deixou a casa. Sem herdeiros, ela transferiu a posse do Solar à Fundação Padre Anchieta, em 1968, respeitando a vontade do ex-prefeito, que planejava doá-lo ao poder público desde a sua construção. Em novembro de 1970, a Fundação Padre Anchieta passou o uso do Solar em comodato para o governo do Estado, que ali resolveu instalar o Museu da Casa Brasileira.

1970/1979 Ernani Silva Bruno 1979/1985 Myrian Ellis 1985/1986 Roberto Duailibi 1986/1989 Maria de Lourdes Monaco Janotti 1989/1992 João Marino 1992/1995 Carlos Bratke 1995/2002 Marlene Milan Acayaba 2003/2007 Adélia Borges Saiba mais
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