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 Olho Mágico – Uma visão dos interiores de Copacabana



Os interiores das moradias de Copacabana são tema da próxima exposição de fotos que o Museu da Casa Brasileira – instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a partir de 3 de julho. Nos quase cinco quilômetros de extensão e por um de largura, espremido entre o mar e a montanha, e marco da diversidade sociocultural do Brasil, o bairro é um dos mais famosos do mundo e se revela pelas lentes da fotógrafa carioca Anna Kahn.

A mostra, intitulada “Olho Mágico”, permanece até 29 de julho, conta com 23 painéis fotográficos com um recorte do universo dos habitantes do bairro, seus arranjos e objetos, revelando a forma de morar destes brasileiros.

Epicentro dos anos dourados e onde surgiram os primeiros acordes da bossa nova, Copacabana é um templo de contrastes que, rodeado por três favelas, abriga cerca de 200 mil moradores e o luxuoso hotel Copacabana Palace. As transformações ao longo das décadas proporcionaram ao bairro sediar uma espécie de ‘Babel’ que convive em sua peculiar harmonia: gente chique, elegante, decadente, prostitutas, travestis, artistas, jovens, velhos, ricos, pobres e famílias tradicionais, lado a lado, em um diálogo de confronto, troca e tiroteio.

A vontade de retratar esse bairro vem da história de vida da fotógrafa. Foi lá que a mãe foi criada e conheceu o pai, vindo da Espanha. Foi lá também que Anna Kahn e seu irmão nasceram. No imaginário infantil, as várias salas e mundos que observava ao percorrer os corredores de um prédio na Rua Prado Júnior até chegar ao consultório do avô dentista. Para cada sala, uma história, para cada história, uma cena, retratada nesse ensaio fotográfico. No intuito de desvendar a alma do bairro, Anna clicou a intimidade dos ambientes que compõem aquele universo. Sob o olhar da fotógrafa, Copacabana se revelou triste e solitária, mas também engraçada e extravagante. Em todos os mundos pelos quais adentrou, foi bem recebida e acolhida. Da adorável secretária, que trabalha duro para criar o filho e convive com a lembrança da morte da mãe – que tirou a própria vida na janela do apartamento -, à atendente de telemarketing que colou uma foto de revista, um par de olhos azuis, no olho mágico da porta de sua casa, para implicar com o marido que não queria que ela comprasse lentes de contato. Foi essa “instalação” da moradora de Copacabana que deu nome à exposição.

A emoção de cada história e do que cada cena reflete se revelam para as lentes de Anna Kahn com a mesma estética de liberdade: no colorido, nos tecidos, nos objetos. Tudo muito lúdico, assim como a exposição que convida o observador a espiar pelo olho mágico e a desvendar esse inesperado universo.
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